quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mau humor

Hoje acordei de mau humor.

Depois do primeiro café decidi não ficar aborrecido por ter acordado assim. Conclui que tenho o direito de passar um dia emburrado e largado ao ócio.

Para começar escolhi a pior camiseta regata que tenho, aquela bermuda velha que fica jogada no fundo da gaveta e um par de chinelos havaiana. Se for para passar o dia assim que o faça a caráter. Com meu segundo café, barba por fazer e um cigarro pendurado na boca vou para o terraço da casa. Sol a meia altura, céu limpo e sem nuvens não combinam com meu visual. Volto para dentro. Não queria que aquele dia bonito acabasse com meu planejamento de bicho preguiça. Ligo a televisão e para a minha sorte está passando a reprise de um jogo de golfe. Não entendo quase nada do esporte mas aquele programa chato vem bem a calhar.

Largado no sofá segurando o controle remoto em uma mão e meio pacote de salgadinhos na outra começo a pensar na primeira decisão executiva do dia. Posso fazer o que quiser, estou em um sábado de manha em um sítio no sul de Minas Gerais a uma distancia de, no mínimo, duzentos quilômetros de um ser humano conhecido. Ginástica nem pensar, é muito “saúde” para meu gosto e ainda corro o risco de me animar e começar a pensar em coisas mais ousadas como arrumar a cama, lavar a louça.

Decido pelo almoço. Omelete com bacon e um balde de batatas fritas coberto com muito catchup. Para beber uma coca-cola direto da garrafa. Claro, tudo isso servido na frente da televisão e deitado no sofá. Ótimo, primeira decisão tomada.

Ainda pensando em o que fazer até a hora do almoço toca a campainha na porta da varanda. Quem poderia ser em um lugar isolado desses em pleno sábado? Resmungando e arrastando meus chinelos vou atender a porta. O homem provavelmente se assustou com minha aparência, cabelos em pé, barba por fazer e uma bufada digna de um ogro resmungo um bom dia quase inaudível. Estava ofertando um serviço de entrega de alimentos na região. Parece brincadeira! Logo no meu dia de pseudo-eremita semifleumático. Dispenso o rapaz e volto para minha maratona televisiva com o controle remoto.
Zapeando entre um canal e outro começo a refletir sobre o ócio. Como preencher um dia com o nada. Parece fácil. Pego um jornal antigo e leio uma frase: "O trabalho não é sempre necessário - existe uma tal coisa que é o ócio sagrado, o cultivo daquilo que é hoje medrosamente menosprezado." - George MacDonald. Não conheço este indivíduo mas me parece uma frase muito rebuscada para justificar uma vagabundagem. Ainda são onze da manha e já estou cansado de não ter o que fazer.
Terminado o almoço olho para a louça acumulando na pia. Resisto à tentação de lavá-la. Decidi por um dia de morosidade e assim será.
O tempo passa lentamente e eu me arrastando pelo triangulo televisão, computador e cozinha.
Janto uma pilha de sanduíches de queijo e atum. Rápido preparo exigindo o mínimo de inteligência e trabalho.
Fim do dia, estava cansado. Passar o dia inteiro ocioso e de mau humor não é uma tarefa fácil. Amanha é domingo. Decido que irei acordar cedo, arrumarei a casa e farei ginástica. Tudo isso antes do café da manha.

Só assim poderei descansar.


By Marcelo Passerini

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá meu caro,
excelentes suas crônicas,
Aguardo as proximas....

Fabio disse...

Pois é. O ócio dá trabalho, principalmente por que manter a mente desocupada é uma das tarefas mais difíceis. Quem sabe um dia chegamos lá.